Polilaminina: o medicamento da UFRJ que faz paraplégicos voltarem a andar

Depois de 25 anos de pesquisa incansável, uma cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pode estar mudando a vida de milhões de pessoas com lesões medulares. A professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas, desenvolveu a polilaminina, uma proteína derivada da laminina da placenta humana que, em testes iniciais, devolveu movimentos a pacientes paraplégicos e tetraplégicos. Essa descoberta não é ficção científica – é ciência brasileira no auge, com resultados preliminares que desafiam o dogma de que lesões na medula espinhal são irreversíveis.

 

A pesquisadora por trás da revolução

Tatiana Sampaio é bióloga especializada em biologia da matriz extracelular, e sua jornada começou nos anos 1990 estudando como proteínas da placenta influenciam o crescimento de neurônios. A laminina, uma proteína essencial para a adesão celular e regeneração tecidual, chamou sua atenção pela capacidade de guiar axônios – os “fios” que levam sinais nervosos – durante o desenvolvimento embrionário. Ela viu ali um potencial para “rejuvenescer” a medula adulta lesionada, onde a regeneração é bloqueada por cicatrizes gliais e inflamação.

Em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, Sampaio repolimerizou a laminina em polilaminina, uma versão otimizada para aplicação direta na lesão medular. O que começou como experimentos em animais evoluiu para testes clínicos pilotos em humanos, financiados pela FAPERJ e com apoio de hospitais como Azevedo Lima e Souza Aguiar.

 

Como funciona a polilaminina no cérebro e na medula

Quando a medula espinhal sofre trauma, como em acidentes de moto ou quedas, há ruptura de axônios, sangramento e formação de uma cicatriz glial que impede o recrescimento nervoso – o cérebro “perde o telefone” com o corpo abaixo da lesão. A polilaminina age como uma ponte molecular: ela se liga a receptores em neurônios e células gliais, promovendo adesão, proliferação celular e orientação de novos brotos axonais para atravessar a zona lesada.

Isso ativa vias de sinalização como integrina e distroglicanos, que estimulam a plasticidade sináptica e reduzem a inflamação. Injetada uma única vez na lesão (em casos recentes, de 24 horas a três dias pós-trauma), a proteína reorganiza o tecido, permitindo que sinais motores e sensitivos fluam novamente. Em lesões crônicas, testes iniciais em seis pacientes com paraplegia/tetraplegia nível A (perda total) mostraram recuperação parcial ou total de movimentos, seguida de fisioterapia intensiva.

A Polilaminina é uma molécula descoberta por acaso e que pode revolucionar a medicina e a ciência como conhecemos.

Resultados dos testes: histórias reais de superação

Os testes pilotos, ainda não publicados em revistas indexadas, envolveram pacientes que esgotaram opções tradicionais. Um caso emblemático é o de Bruno Drummond de Freitas, tetraplégico após acidente, que voltou a andar graças à polilaminina – sua história viralizou em programas como Sem Censura, da TV Brasil. Outros seis paraplégicos crônicos recuperaram funções motoras, como andar ou mexer braços, desafiando expectativas médicas.

Esses ganhos não são milagres instantâneos: dependem de reabilitação, mas o que impressiona é a regeneração tecidual observada em exames, com reconexão neural visível. A mídia nacional (Jornal Nacional, Folha, CNN) repercutiu, e Sampaio foi eleita “Destaque do Ano” em ciência.

Arte: Lennon Almeida

Desafios e o que vem pela frente

Apesar do entusiasmo, a polilaminina está na fase experimental: aguarda aprovação da Anvisa para ensaios clínicos fase II/III em maior escala, com grupos controle e publicação revisada por pares. Críticos notam a amostra pequena e ausência de dados publicados, mas os resultados preliminares validam anos de trabalhos em laboratório. Se aprovada, poderia ser o primeiro tratamento regenerativo para lesões medulares no mundo, exportável e acessível via SUS.

Para neurociência, isso abre portas: entender como modular a matriz extracelular pode tratar Alzheimer, Parkinson ou AVC. Para pacientes, é esperança real – após décadas de “irrevogável”, a ciência brasileira prova que o cérebro e a medula têm mais poder de cura do que imaginávamos.

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Respostas de 2

  1. COMO FAÇO PRA ENTRAR EM CONTATO COM A EQUIPE DA CIENTISTA E PROFESSOTA TATIANA? SOU ASSISTENTE SOCIAL E TEMOS AQUI UMA PACIENTE DE 27 ANOS QUE FICOU PARAPLEGICA DEPOIS DA INTERNAÇÃO PROLONGADA DE COVID 19 EM 2020, PACIENTE JOVEM MULHER, DIABETICA

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