Polilaminina da UFRJ: resultados iniciais, estudos clínicos e limites das evidências

Atualização científica (31/10/2026): a polilaminina continua em investigação clínica. Os resultados preliminares não comprovam que a substância restaure a capacidade de andar. O estudo de fase 1 autorizado pela Anvisa avalia principalmente sua segurança, e a eficácia dependerá de investigações posteriores. Fontes: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Pesquisadores da UFRJ investigam há décadas a polilaminina como possível abordagem para lesões medulares. A professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas, desenvolveu a polilaminina, uma proteína derivada da laminina da placenta humana cujo potencial terapêutico é investigado em pesquisas preliminares envolvendo lesões da medula espinhal. Os achados iniciais despertam interesse científico, mas ainda não permitem afirmar que a substância seja eficaz ou que os resultados observados nos participantes tenham sido causados pelo tratamento.

 

A pesquisadora por trás da revolução

Tatiana Sampaio é bióloga especializada em biologia da matriz extracelular, e sua jornada começou nos anos 1990 estudando como proteínas da placenta influenciam o crescimento de neurônios. A laminina, uma proteína essencial para a adesão celular e regeneração tecidual, chamou sua atenção pela capacidade de guiar axônios – os “fios” que levam sinais nervosos – durante o desenvolvimento embrionário. Ela viu ali um potencial para “rejuvenescer” a medula adulta lesionada, onde a regeneração é bloqueada por cicatrizes gliais e inflamação.

Em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, Sampaio repolimerizou a laminina em polilaminina, uma versão otimizada para aplicação direta na lesão medular. O que começou como experimentos em animais evoluiu para testes clínicos pilotos em humanos, financiados pela FAPERJ e com apoio de hospitais como Azevedo Lima e Souza Aguiar.

 

Como funciona a polilaminina no cérebro e na medula

Quando a medula espinhal sofre trauma, como em acidentes de moto ou quedas, há ruptura de axônios, sangramento e formação de uma cicatriz glial que impede o recrescimento nervoso – o cérebro “perde o telefone” com o corpo abaixo da lesão. A polilaminina age como uma ponte molecular: ela se liga a receptores em neurônios e células gliais, promovendo adesão, proliferação celular e orientação de novos brotos axonais para atravessar a zona lesada.

Isso ativa vias de sinalização como integrina e distroglicanos, que estimulam a plasticidade sináptica e reduzem a inflamação. Injetada uma única vez na lesão (em casos recentes, de 24 horas a três dias pós-trauma), a proteína reorganiza o tecido, permitindo que sinais motores e sensitivos fluam novamente. Em lesões crônicas, testes iniciais em seis pacientes com paraplegia/tetraplegia nível A (perda total) mostraram recuperação parcial ou total de movimentos, seguida de fisioterapia intensiva.

A Polilaminina é uma molécula descoberta por acaso e que pode revolucionar a medicina e a ciência como conhecemos.

Resultados dos testes: histórias reais de superação

Os testes pilotos, ainda não publicados em revistas indexadas, envolveram pacientes que esgotaram opções tradicionais. Um caso emblemático é o de Bruno Drummond de Freitas, tetraplégico após acidente, que voltou a andar graças à polilaminina – sua história viralizou em programas como Sem Censura, da TV Brasil. Outros seis paraplégicos crônicos recuperaram funções motoras, como andar ou mexer braços, desafiando expectativas médicas.​

Esses ganhos não são milagres instantâneos: dependem de reabilitação, mas o que impressiona é a regeneração tecidual observada em exames, com reconexão neural visível. A mídia nacional (Jornal Nacional, Folha, CNN) repercutiu, e Sampaio foi eleita “Destaque do Ano” em ciência.

Arte: Lennon Almeida

Desafios e o que vem pela frente

Apesar do entusiasmo, a polilaminina está na fase experimental: aguarda aprovação da Anvisa para ensaios clínicos fase II/III em maior escala, com grupos controle e publicação revisada por pares. Críticos notam a amostra pequena e ausência de dados publicados, mas os resultados preliminares validam anos de trabalhos em laboratório. Se aprovada, poderia ser o primeiro tratamento regenerativo para lesões medulares no mundo, exportável e acessível via SUS.

Para neurociência, isso abre portas: entender como modular a matriz extracelular pode tratar Alzheimer, Parkinson ou AVC. Para pacientes, é esperança real – após décadas de “irrevogável”, a ciência brasileira prova que o cérebro e a medula têm mais poder de cura do que imaginávamos.

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Respostas de 2

  1. COMO FAÇO PRA ENTRAR EM CONTATO COM A EQUIPE DA CIENTISTA E PROFESSOTA TATIANA? SOU ASSISTENTE SOCIAL E TEMOS AQUI UMA PACIENTE DE 27 ANOS QUE FICOU PARAPLEGICA DEPOIS DA INTERNAÇÃO PROLONGADA DE COVID 19 EM 2020, PACIENTE JOVEM MULHER, DIABETICA

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